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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Uma visão crítica da Proclamação da República

Nas clássicas representações do golpe militar que marcou o fim da Monarquia no Brasil e o início da República, a imagem do marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), erguendo seu quepe cheio de glórias, é a que prevalece. No quadro de Henrique Bernardelli (1857-1936, mostrado à esquerda), o militar é propositadamente recuperado como a figura central, o representante maior dos ideais de liberdade associados ao novo período. Esses e outros retratos da época ajudaram a disseminar uma visão parcial do episódio, apagando outros personagens que desempenharam papel relevante na mudança. Iluminar esses grupos esquecidos é o ponto de partida para apresentar uma visão crítica da proclamação da República aos estudantes.

O ponto fundamental é esclarecer que, longe de ser um fato pontual, a instauração do novo modo de governo decorre de uma série de fatores que contribuíram para criar um cenário propício à República (veja o quadro abaixo). Expor essa realidade aos alunos, privilegiando a visão de processo histórico, permite um entendimento mais profundo da realidade política, econômica e social da época. Com base nessa revisão histórica, o próprio papel dos militares no episódio passa a ser relativizado, uma vez que outros agentes com importante função no gradativo enfraquecimento do antigo governo são trazidos à luz.
É possível, por exemplo, reavaliar o que de fato ocorreu no dia da proclamação. Em 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram circular o boato de que o governo imperial havia mandado prender Deodoro e o tenente-coronel Benjamin Constant, líder dos oficiais republicanos. O objetivo era instigar o marechal, um militar de prestígio, a comandar um golpe contra a monarquia. Deu certo: no dia 15, ele reuniu algumas tropas, que em seguida rumaram para o centro do Rio de Janeiro e depuseram os ministros de dom Pedro II.

O imperador, que estava em Petrópolis, a 72 quilômetros do Rio de Janeiro, retornou para a capital na tentativa de formar um novo ministério. Mas, ao receber um comunicado dos golpistas informando sobre a proclamação da República e pedindo que deixasse o país, não ofereceu resistência e partiu para a Europa. Tamanho era o temor de que o Império pudesse ser restaurado que o banimento da família real durou décadas: apenas em 1921 os herdeiros diretos do imperador deposto foram finalmente autorizados a pisar em solo brasileiro.

Vale discutir o peso da participação de Deodoro da Fonseca explicando alguns detalhes dos bastidores do acontecimento. Fosse ou não ele a figura central do fato, que não enfrentou praticamente nenhuma resistência - daí as representações não o mostrarem de espada em punho -, muito provavelmente a história teria o mesmo desfecho. Conte que o "herói da proclamação" fez parte do Estado monárquico e era funcionário de confiança de dom Pedro II. Relutou em instaurar o novo sistema e aderiu à causa dias antes.

No dia fatídico, ele saiu de casa praticamente carregado por seus companheiros - Deodoro estava doente, com problemas respiratórios. Cavalgou quase a contragosto, ameaçado pela ideia de que o governo imperial, ao saber dos boatos sobre a proclamação, pretendesse reorganizar a Guarda Nacional e fortalecer a polícia do Rio de Janeiro para se contrapor ao Exército. Foi o republicano José do Patrocínio que, horas mais tarde, dirigiu-se à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, presidindo o ato solene de proclamação da República. Deodoro, a essa altura, estaria em casa, possivelmente assinando a carta que chegaria a seu amigo pessoal, o imperador Pedro II, informando, com grande pesar, o banimento da família real.


Quatro razões para a queda da Monarquia
Abolição da escravatura Decretado em 1888, o fim da escravidão desestabilizou a agricultura de exportação, baseada no trabalho compulsório. O Império mostrou-se incapaz de responder com a agilidade necessária às novas demandas dos fazendeiros e não conseguiu garantir a estabilidade econômica.

Influências externas
O Brasil era o único país independente na América do Sul a manter uma monarquia - países vizinhos colonizados pela Espanha optaram pela república logo após a autonomia. O contato dos militares com a realidadedas nações vizinhas disseminou a ideia de um novo sistema de governo.

Centralização política

Concentrador de poderes por definição, o sistema monarquista já não era compatível com as necessidades nascidas da modernização da economia. Elites provinciais de São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, já reivindicavam, desde o início do século, certo nível de autonomia.

Perda de apoio popular

Dom Pedro II, na maior parte do tempo recolhido em Petrópolis, já não era mais uma figura querida entre as massas. Além dele, a princesa Isabel e seu marido, conde d
Eu, eram frequentemente alvo de ataques e chacotas da imprensa nacional e internacional.
Debata a criação de símbolos para sustentar a nova ordem 
Basear-se na desmistificação dessas figuras centrais no episódio da proclamação pode ser um caminho para estudar de que forma os protagonistas de determinadas passagens da história trabalham para passar uma imagem gloriosa de seus feitos. Discuta com a turma que esses relatos incluem ideologias e interesses e não podem ser encarados como fiéis ao fato. Em vez disso, é melhor vê-los como um recorte do acontecido, que precisa ser confrontado com outras fontes para que se possa compor um panorama mais próximo da realidade.
Ainda recorrendo ao exemplo da República, mostre o esforço dos grupos vitoriosos para criar e popularizar símbolos e personagens históricos que representem um novo regime. Festas cívicas, monumentos, estátuas, telas e gravuras consolidadoras das tradições nacionais são as expressões mais marcantes desse esforço - uma atitude costumeira, repetida mundo afora em inúmeras outras reformas e revoluções.

No caso da proclamação, os governantes alteraram o nome de diversas ruas, substituindo os que tinham ligação com o Império por outros associados à República. Vias denominadas "Imperatriz" se transformaram em ruas 15 de Novembro, assim como muitos Largos da Matriz passaram a chamar-se Praça da República. Além das estátuas do marechal, figuras como a de Tiradentes, apontado como o precursor da República, foram recuperadas. É o momento de apresentar à moçada telas e gravuras clássicas e debater o que elas representam.
Uma reflexão importante surge da comparação entre os ideais da propaganda oficial e a realidade concreta . Em relação à República, é possível explorar a contradição entre um sistema que prometia trazer o povo para o centro da atividade política, mas que consolidou-se quase sem envolvimento popular nem na deposição da Monarquia nem na formação do novo governo - o que ocorreu foi uma junção de forças entre as oligarquias que davam sustentação ao Império com uma parte da nova burguesia comercial e industrial.

A investigação sobre a relação do povo com o poder na proclamação da República pode terminar com uma comparação com os dias de hoje. De lá para cá, o que mudou? Hora de mostrar que, apesar de nosso modelo de democracia garantir a representatividade do povo por meio do voto direto e de existirem formas de o cidadão exercer algum controle sobre as esferas de poder, continuam válidas as palavras do historiador José Murilo de Carvalho: "Ainda hoje, a atitude popular perante o poder ainda oscila entre a indiferença, o pragmatismo fisiológico e a reação violenta".

Fontes:  
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/bastidores-republica-497164.shtml?page=1

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Colônia de Povoamento X Colônia de Exploração


Ao falarmos realizarmos comparações entre as Colonizações na América nos deparamos sempre com a defesa diferentes tipos de colonização que definiriam a riqueza ou pobreza das nações atualmente. Dessa forma Colônia de Povoamento seria a Nova Inglaterra, que teriam chegado ao Norte da América com o intuito de fazer crescer a Nova Terra, por isso voltaram-se ao mercado interno e rejeitaram o latifúndio. Já a Colônia de Exploração corresponderia a àquelas em que os colonizadores tinham apenas o intuito de enriquecer e retornar para a Metrópole eram voltados ao mercado externo e ao latifúndio.
Observe o a análise publicada pela editora contexto através do texto “História dos Estados Unidos” sobre esse assunto, pode ser uma ótima comparação para ser realizada em sala de aula.

Um dos aspectos que contesta várias ideias sobre a colonização da América, é que a ibérica foi, em quase todos os sentidos, mais organizada, planejada e metódica que a anglo-saxônica. Caso atribuamos valor à organização, é inegável que a colonização ibérica foi muito "melhor" que a anglo-saxônica.
Na verdade, só podemos falar em projeto colonial nas áreas portuguesa e espanhola. Só nelas houve preocupação constante e sistemática, quanto às questões da América. A colonização da América do Norte inglesa, por razões que veremos adiante, foi assistemática.
No século XVII, quando a América Espanhola já possuía universidade, bispados, produções literárias e artísticas de várias gerações, a costa inglesa da América do Norte era um amontoado de pequenas aldeias atacadas por índios e rondadas pela fome.
A Península Ibérica enviava ao Novo Mundo homens de toda espécie. Dentre os primeiros franciscanos que foram ao México, por exemplo, estava Pedro de Gand, parente do próprio imperador da Espanha. No Brasil, a nova e entusiasmada ordem dos jesuítas veio com o primeiro governador-geral. Imaginar o Brasil povoado só por ladrões e estupradores é tão falso como supor que apenas intelectuais piedosos foram para as 13 colônias.
Decorridos cem anos do início da colonização, caso comparássemos as duas Américas, constataríamos que a ibérica tornou-se muito mais urbana e possuía mais comércio, maior população e produções culturais e artísticas mais "desenvolvidas" que a Inglesa. Nesse fato vai residir a maior facilidade dos colonos norte-americanos em proclamarem sua independência. A falta de um efetivo projeto colonial aproximou os EUA de sua independência. As treze colônias nascem sem a tutela direta do Estado. Por ter sido "fraca", como veremos adiante, a colonização inglesa deu origem à primeira independência vitoriosa da América. Quando a Coroa Britânica tentou implantar um modelo sistemático de Pacto Colonial, o resultado foi o desastre. Em suma, quando Londres tentou imitar Lisboa, já era tarde demais.
O mundo ibérico dá a idéia de permanência. Construir e reformar ao longo de três séculos uma catedral como a da cidade do México não é atitude típica de quem quer apenas enriquecer e voltar para a Europa. A solidez das cidades coloniais espanholas, seus traçados urbanos e suas pesadas construções não harmonizam com um projeto de exploração imediata. O europeu que viesse para a América, em primeiro lugar, deveria ser de uma coragem extrema. Uma vez aqui, sua volta tomava-se extremamente difícil. Em pleno século XIX, Simón Bolívar, membro de uma das famílias mais ricas e ilustres da América, teve dificuldades em obter licença para estudar na Europa. E óbvio que a atração das riquezas da América foi forte. Porém, poucas pessoas tinham liberdade para ir e vir nas Américas. No limite do cômico, aqueles que apelam para a explicação de colônias de povoamento e exploração parecem dizer que, caso um colono em Boston, no século XVII, encontrasse um monte de ouro no quintal, diria: "não vou pegar este ouro porque sou um colono de povoamento, não de exploração; vim aqui para trabalhar não para ficar rico e voltar". Quando os norte-americanos encontraram, enfim, ouro na Califórnia e no Alasca, o comportamento dos puritanos não ficou muito distante dos católicos das Minas Gerais. A cobiça, o arrivismo e a violência não parecem muito dependentes da religião ou da suposta "raça". Em se tratando da colonização ibérica, devemos seguir o conselho da historiadora Janice Theodoro da Silva: "desconfiar da empresa e degustar a epopéia". A epopéia incluiu a exploração mercantilista, mas não se reduziu a ela. Não é, certamente, nesta explicação simplista de exploração e povoamento que encontraremos as respostas para as tão gritantes diferenças na América. Entender a especificidade das colônias inglesas na América do Norte significa falar da Inglaterra moderna".   O debate sobre o tema pode ser bem produtivo em sala possibilitando a capacidade organizar dados e desenvolver argumentos, mas com certeza poderá ir bem mais além, por isso aproveite a oportunidade de conhecer as ideias de seus alunos, partindo do que já conhecem para inserção ao tema. Sugiro que comecem a introdução comentando sobre as situações dos países, questionando como as pessoas vivem no âmbito socioeconômico e estimule-os a encontrar razões. Depois poderá partir mostrando-lhes o que as pessoas tradicionalmente defendem (Exploração X Povoamento), então poderá ir construindo sua aula de forma bem interessante, tomando os caminhos que se adequem de forma mais eficiente a sua classe.                                                                                                                  Texto(História dos Estados Unidos) na íntegra disponível através do endereço abaixo: http://www.editoracontexto.com.br/produtos/pdf/HISTORIA%20EUA_CAP1.PDF – (último acesso em 15/04/2011 às 16h40).

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Como explicar o conflito no Norte da África e no Oriente Médio

Esta é uma matéria da Revista Nova Escola, e explica de forma fácil e suscinta sobre os últimos ocorridos quanto a queda de Ditadores nos países do Norte da África.
Em sala de aula os alunos tem questionado bastante sobre o assunto, creio que seja uma ótima oportunidade para além de explicarmos o que vem ocorrendo resgatarmos as histórias desses países.



“Tudo começou em dezembro de 2010, na Tunísia, quando um jovem ateou fogo ao próprio corpo após a polícia fechar sua fonte de renda, uma banca de frutas e verduras. O caso, potencializado por denúncias de corrupção do governo, deflagrou uma onda de levantes populares contra o desemprego, a pobreza e a inflação galopante. Em 14 de janeiro, o presidente Zine Al-Abidine Ben Ali (no poder desde 1987) deixou o país.


Com o sucesso do evento, outras manifestações eclodiram em terras do norte da África e do Oriente Médio. No Egito, a nação mais influente da região, 18 dias de protestos foram suficientes para que, em 11 de fevereiro, o general Hosni Mubarak (presidente no poder havia 30 anos) também deixasse o território e o cargo. Os militares, que se recusaram a lutar contra os civis, assumiram o governo interinamente e ainda devem influenciar o processo de transição.


Na Líbia, os protestos estouraram no mesmo embalo. A população local clamava pela queda do ditador Muamar Kadafi, que mobilizou tropas militares para sufocar a ação dos rebeldes (até o fechamento desta edição, o país vivia uma guerra civil e era alvo de ataques aéreos internacionais).


O efeito dominó, que começou na Tunísia, alcançou Egito e Líbia e impulsionou a situação de tensão e os protestos em vários países do entorno teve um componente especial. "Embaladas por um sentimento de igualdade, as pessoas pensavam: ‘Se foi possível em Túnis e Cairo, por que não aqui?’", explica Marcelo de Souza, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conhecer esses fatos é importante, mas insuficiente: os estudantes precisam saber como analisar o cenário criticamente”.